domingo, 7 de dezembro de 2008

Reciclagem musical XXII

Continuando em 2008, e na sequência da 14ª reciclagem musical e do percurso musical dos britânicos Kaiser Chiefs, escolhi uma canção do seu terceiro álbum Off with their heads, que continua o espírito critico dos dois albums anteriores (Employment e yours truly angry mob) como se pode ver nesta Never miss a beat (o primeiro single deste novo álbum).

“Never miss a beat”

What did you learn today?
I learned nothing
What did you do today?
I did nothing
What did you learn at school?
I didn't go
Why didn't you go to school?
I don't know

It's cool to know nothing
It's cool to know nothing

Television's on the blink
There's nothing on it
I really want to really big coat
With words on it
What do you want for tea?
I want crisps
Why didn't you join the team?
I just didn't

It's cool to know nothing
It's cool to know nothing

Take a look, take a look, take a look
At the kids on the street
No they never miss a beat
No they never miss a beat
Never miss a beat
Never miss a beat, beat, beat, beat

Here comes the referee
The light's flashing
Best bit of the day
Now that's living
Why don't you run away?
Are you kidding?
What is the golden rule?
You say nothing

It's cool to know nothing
It's cool to know nothing

Take a look, take a look, take a look
At the kids on the street
No they never miss a beat
No they never miss a beat
Never miss a beat
Never miss a beat, beat, beat, beat


Se o caso não fosse tão serio, seria hilariante. Não é preciso esforçarmo-nos muito para constatar que a canção descreve a mentalidade de muitas pessoas jovens hoje em dia. Mentalidade que acaba por valorizar a ignorância (It’s cool to know nothing) e desprezar a cultura e o conhecimento, concentrando a sua atenção em futilidades. Encontramo-los preocupados em seguir a moda ditada pela televisão, seguindo padrões definidos de um modo rígido, como que criando grupos de pessoas sem identidade própria a não ser protótipo fechado e acéfalo de determinado grupo. Pessoas a quem a escola diz muito pouco senão como meio de socializar ou de passar o tempo, que vivem para o presente e o futuro imediato, sem nenhum projecto de vida, e que vivem com uma ideia (que a escola a própria sociedade acabam muitas vezes por reforçar) de total desresponsabilização e completa impunidade perante a autoridade e a ordem social, esperando que tudo lhes seja conseguido sem terem que fazer muito por isso, nunca tendo de se preocupar com as consequências do que fazem. Pergunto-me que capacidade terão estas pessoas de um dia saírem do seu casulo e enfrentarem as responsabilidades de uma vida adulta, sem adoptarem um objectivo a longo prazo, e sem construírem a sua própria visão do mundo, tendo em mente algo mais que o aqui e o agora. E aobretudo sem que compreendam que os seus actos têm consequências e que no mundo real nada é adquirido sem esforço.

3 comentários:

Anónimo disse...

now i have to write in english :) isn't it funny that less than 20 years ago all rockers were singing "we dont need no education?" ( the Wall 79) do we know now what is behind the wall? and that is what scarry us so, that we cant do anything? or there is a problem which was describe by Slawomir Mrozek(http://en.wikipedia.org/wiki/Slawomir_Mrozek) at play "Tango", /"Tango". New York: Grove Press, 1968./, there is a problem of children, of "children the revolution". With what i can fight or set against if anything now is possible? when borders dont exist? our parents rised in revolt, what we can do? opposite of movement is doing nothing isnt it? is it our only chance to make our own adolescent rebellion?
by the way:
http://pl.youtube.com/watch?v=M_bvT-DGcWw http://pl.youtube.com/watch?v=d0y3jCbDv08

Ana Teresa disse...

Ainda bem que trouxeste à baila a questão ideológica, já agora aproveito a deixa. Sim, the other side of the wall, como tu lhe chamaste, pode ser mesmo assustador. Se as gerações dos nossos avós e dos nossos pais foram marcadas por uma forte componente ideológica, e estes viveram numa época de grandes mudanças politicas e sociais que foram importantes para marcar a sua consciência do mundo e o seu pensamento. Mas nós, que somos os herdeiros das suas lutas, deixámos ter um objectivo por que lutar. A ideologia desvaneceu-se no nosso mundo estável e arriscamo-nos a tomar como certo aquilo que os nossos antepassados recentes conquistaram. E tomar algo como certo e o primeiro passo para deixar de lhe dar valor e desbaratar ao acaso o que nos foi oferecido e cuja importância nunca deveríamos por em questão. Como cantavam os Muse em Take a bow: “And our freedom’s consuming itself /What we’ve become/ Is contrary to what we want”.

Anónimo disse...

Os nossos antepassados, os do tempo da revolução ideologica, lutavam contra algo tangível que era uma matriz de conservadorismo e censura muito fortes.

Hoje não existe uma luta, uma tentativa de revolucionar as mentes. Não há vontade de aprender de outra forma, de adoptar novas ideias, "the wall" não falava de não ser necessária uma educação, antes da vitalidade de uma oferenda de conhecimento para cada um tirar as suas elações (daí "we dont need no thought control").

A vontade de ter inércia mental não é revolução, é involução.

Today there is absolutely no revolution. Just meaningless fights to corrupt an average sistem.


Mas o ritmo da música é simplesmente fantástico:P