Em meados de Julho deste ano eu li um livro muito interessante chamado Decompondo o arco-íris da autoria do biólogo inglês Richard Dawkins. No entanto foram as primeiras linhas deste livro ficaram na minha memória. Rezava assim:
“Vamos morrer e isso faz de nós uns felizardos. A maior parte das pessoas nunca irá morrer porque nunca chegará a nascer. O número de pessoas que podia estar aqui no meu lugar, mas que de facto nunca verá a luz do dia excede os grãos de areia do deserto da Arábia. Certamente esses fantasmas não nascidos incluem poetas mais sublimes do que Keats, cientistas mais notáveis que Newton. Sabemo-lo porque o conjunto de pessoas que existem e existiram constitui uma ínfima parte do que é permitido pelo nosso ADN. Contrariando estas probabilidades assombrosas, somos nós que na nossa normalidade, estamos aqui.” Richard Dawkins, Decompondo o arco-íris, capitulo 1
Todos vamos morrer um dia pelo simples facto de estarmos vivos. Essa é a única condição para morrermos. A morte é outra face da vida, tão indissociável dela como o dia o é da noite. E assim é para todos os organismos vivos. A evolução pode permitido que nos tornássemos mais complexos, que pudéssemos ter uma consciência diferente do mundo à nossa volta, mas somos construídos pelo mesmo que o é o mundo vivo e mesmo não-vivo à nossa volta. E no nosso lugar poderia estar hoje em dia alguém completamente diferente de nós apenas algo no passado tivesse sido ligeiramente diferente. Mas existimos, é um facto, somos nós que estamos aqui, e não qualquer outra pessoa. Não como resultado de uma desígnio predefinido, mas apenas resultado de uma longa cadeia de eventos favoráveis. Sem nenhum propósito ou intenção em particular, a nossa vida não tem em si nenhum sentido ou significado que não seja aquele que nós lhe atribuirmos, através do caminho que decidimos percorrer. Claro que somos limitados pelas circunstâncias, pela sociedade em que vivemos, pelas pessoas à nossa volta, pelo acaso, pelo tempo, pelo espaço. Mas há que sobra disso que nos compete a nos determinar o que fazer com volta da roleta russa da existência que nos permitiu estar aqui e agora e poder viver durante algumas décadas neste mundo. O único que temos ou iremos ter.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Keane no coliseu de Lisboa
Antes de mais,deixem-me dizer-vos que este é um assunto acerca do qual eu sou fortemente suspeita. Os keane são uma das minhas bandas de eleição e eu ansiava pela chegada do dia 12 de Novembro desde meados de Setembro, quando comprei o bilhete. Cheguei à rua do coliseu às 16h e 30 min e lá esperei até que as portas de abrissem, o que aconteceu às 20h e depois de uma breve a precipitada corrida, consegui ficar numa posição algo privilegiada, uma vez que só tinha duas pessoas entre mim e a grade e o palco devia estar a menos de 3 metros de onde eu me encontrava. A primeira parte foi bastante melhor do que eu esperava, A Rita Redshoes fez um bom trabalho, ela que não só canta muito bem, como as canções eram bonitas e conseguiram cativar alguma atenção dos espectadores ansiosos pela chegada da actuação principal da noite. Quando às 22h os keane entraram no palco, deu-se início a uma noite que pelo menos para mim foi inesquecível. O espectáculo abriu com o The lovers are losing e Better than this, dois temas do mais recente álbum Perfect symmetry, seguidos dos clássicos Everbody’s changing e Nothing in way way, voltando em seguida aos ritmos mais recentes com Again and again e You don’t see me. Em seguida This is the last time e um enérgico Spiralling (que Tom Chaplin introduziu dizendo: “I saw a poster saying “I’ve been waiting for this moment to come”, well, I think the moment has come for you”) encheram o coliseu. Depois seguiu-se um mini-concerto acústico. Tom Chaplin interpretou Bend and Break sozinho, tocando guitarra acústica, e depois a banda tocou versões acústicas de Try again e We might as well be strangers. Os novos ritmos voltaram You haven’t told me anything, seguido de A bad dream e Perfect symmetry que Tom anunciou como sendo na sua melhor composição até à data e como sendo uma canção de esperança, que após os acontecimentos recentes nos EUA (eleição de Barack Obama) soava especialmente adequada. Os clássicos voltaram em força com Somewhere only we konw (canção que deu nome a este blog) e um explosivo Crystal ball. A encore pedida pela audencia inclui uma musica de cada álbum comçando com Black burning heart, seguido de Is it any wonder? e terminando com Bedshaped (Reciclagem Musical XI). A despedida foi dita com as seguintes palavras do vocalista e guitarrista Tom chaplin “what more can I say, this means so much to us” e “we knew lisbon would be the final night in this tour and we also knew it would be the most celebratory” e dito isto pegou uma bandeira portuguesa que alguém no publicou lhe dera e pendurou-a no seu microfone antes de cantar a ultima canção da noite. A banda teve na mina opinião um boa actuação, com uma performance notável do grupo, e revelando que Tom Chaplin é um guitarrista competente. A banda mostrou ainda grande entusiasmo, com Tom a cantar frequentemente junto a borda do palco ou mesmo fora dele e junto ao publico, a audiência soube responder bem à dedicação deles cantando a plenos pulmões todas a canções tocadas como se fossem singles de sucesso. Eles prometeram voltar em breve. Eu espero que sim.sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Reciclagem musical XVII
Esta reciclagem musical segue o percurso da banda de rock inglesa Muse, cujo álbum seguinte, Absolution (2003). Este álbum inclui algumas canções de amor (que apesar de tudo não são muito frequentes no registo musical deste grupo) incluindo uma canção chamada Falling away with you, que é na minha opinião particularmente bonita e que merece ser a primeira canção a amor na serie das reciclagens musicais.
"Falling Away With You"
I can't remember when it was good
moments of happiness elude
maybe I just misunderstood
all of the love we left behind
watching the flash backs intertwine
memories I will never find
so I'll love whatever you become
and forget the reckless things we've done
I think our lives have just begun
I think our lives have just begun
and I'll feel my world crumbling
I'll feel my life crumbling
I'll feel my soul crumbling away
and falling away
falling away with you
staying awake to chase a dream
tasting the air you're breathing in
I know I won't forget a thing
promise to hold you close and pray
watching the fantasies decay
nothing will ever stay the same
all of the love we threw away
all of the hopes we cherished fade
making the same mistakes again
making the same mistakes again
I can feel my world crumbling
I can feel my life crumbling
I can feel my soul crumbling away
and falling away
falling away with you
all of the love we've left behind
watching the flash backs intertwine
memories I will never find
memories I will never find
O amor e a nostalgia são uma combinação explosiva. Explosiva e algo intrigante. Quantos sonharam com uma vida ideal, percorrida em nome do amor que fez o seu mundo girar ao contrário, vivida tão só ele e para ele. Prometeram amar perante tudo, juraram nunca desistir do sonho, por mais que as circunstâncias e as pessoas mudassem. Mas o tempo passa implacavelmente, trazendo um outro mundo. Um mundo em que as ilusões se foram desfazendo, as esperança acalentadas nunca passaram disso mesmo. Em que o amor foi sendo deixado ao longo de um caminho cheio de curvas e obstáculos, repleto de decisões irreflectidas e erros repetidos uma e outra vez em que o amor era desbaratado à toa, até que dos sonhos e as ilusões de outrora só restassem ruínas. Quando olham para trás e a memoria se enche de imagens, perdidas algures entre o sonho a realidade, entre o que se idealizou e o que realmente aconteceu que acabou por ser tão diferente do mundo presente que as fantasias do passado quase parecem pertencer a um mundo que não é este em que vivemos. As memórias dos dias felizes escapam-se entre os dedos, se é que de facto esses dias alguma vez existiram. Mas apesar de tudo e ainda assim, agarram-se teimosamente ao que resta do que sonharam um dia, recusam-se a desistir, e dispõem-se a recomeçar a reconstruir e manter vivo o amor que marcou as suas vidas.
"Falling Away With You"
I can't remember when it was good
moments of happiness elude
maybe I just misunderstood
all of the love we left behind
watching the flash backs intertwine
memories I will never find
so I'll love whatever you become
and forget the reckless things we've done
I think our lives have just begun
I think our lives have just begun
and I'll feel my world crumbling
I'll feel my life crumbling
I'll feel my soul crumbling away
and falling away
falling away with you
staying awake to chase a dream
tasting the air you're breathing in
I know I won't forget a thing
promise to hold you close and pray
watching the fantasies decay
nothing will ever stay the same
all of the love we threw away
all of the hopes we cherished fade
making the same mistakes again
making the same mistakes again
I can feel my world crumbling
I can feel my life crumbling
I can feel my soul crumbling away
and falling away
falling away with you
all of the love we've left behind
watching the flash backs intertwine
memories I will never find
memories I will never find
O amor e a nostalgia são uma combinação explosiva. Explosiva e algo intrigante. Quantos sonharam com uma vida ideal, percorrida em nome do amor que fez o seu mundo girar ao contrário, vivida tão só ele e para ele. Prometeram amar perante tudo, juraram nunca desistir do sonho, por mais que as circunstâncias e as pessoas mudassem. Mas o tempo passa implacavelmente, trazendo um outro mundo. Um mundo em que as ilusões se foram desfazendo, as esperança acalentadas nunca passaram disso mesmo. Em que o amor foi sendo deixado ao longo de um caminho cheio de curvas e obstáculos, repleto de decisões irreflectidas e erros repetidos uma e outra vez em que o amor era desbaratado à toa, até que dos sonhos e as ilusões de outrora só restassem ruínas. Quando olham para trás e a memoria se enche de imagens, perdidas algures entre o sonho a realidade, entre o que se idealizou e o que realmente aconteceu que acabou por ser tão diferente do mundo presente que as fantasias do passado quase parecem pertencer a um mundo que não é este em que vivemos. As memórias dos dias felizes escapam-se entre os dedos, se é que de facto esses dias alguma vez existiram. Mas apesar de tudo e ainda assim, agarram-se teimosamente ao que resta do que sonharam um dia, recusam-se a desistir, e dispõem-se a recomeçar a reconstruir e manter vivo o amor que marcou as suas vidas.
domingo, 26 de outubro de 2008
Reciclagem musical XVI
Esta 16ª reciclagem musical recua um pouco mais no tempo, até 2001, ano em os britânicos Muse lançaram o seu segundo álbum Origin of symmetry. Uma das canções deste álbum, chama-se citizen erased e tal como muitas outras deste grupo inglês (deste e de outros álbuns) tem bastante que se lhe diga.
"Citizen Erased"
Break me in,
Teach us to cheat
And to lie, cover up
What shouldn't be shared?
All the truth unwinding
Scraping away
At my mind
Please stop asking me to describe him
For one moment
I wish you'd hold your stage
With no feelings at all
Open minded
I'm sure I used to be so free
Self expressed, exhausting for all
To see and to be
What you want and what you need
The truth unwinding
Scraping away
At my mind
Please stop asking me to describe
For one moment
I wish you'd hold your stage
With no feelings at all
Open minded
I'm sure I used to be so free
For one moment
I wish you'd hold your stage
With no feelings at all
Open minded
I'm sure I used to be so free
Wash me away
Clean your body of me
Erase all the memories
They will only bring us pain
And I've seen all I'll ever need
Se pararmos um pouco para pensar, a vida vista de fora parece-se um pouco com um imenso baile de mascaras. Todas as pessoas acabam por se esconder por detrás de representações mais ou menos próximas de si mesmas, num teatro interminável e em constante mudança, onde nada pode ser dado como certo. Onde todos se escondem, onde todos parecem ser aquilo que não são, esforçam-se por ser aquilo que os outros esperam que eles sejam em cada momento. Mas neste teatro complexo e imprevisível é fácil sentirmo-nos perdidos, desejando que a peça pudesse parar por momentos, para podermos tentar compreender-lhe as regras, pudéssemos ver os verdadeiros rostos que se escondem atrás das máscaras, pudéssemos questionar o que acontece a nossa volta, sermos mais livres de seguir outros rumos. Por outro lado, tanto nos esforçamos por ser o que é esperado de nós, o que sentimos ser o que os outros precisam, esquecemo-nos de sermos simplesmente nós mesmos, acabamos por não conhecer verdadeiramente as pessoas à nossa volta, se construímos tudo com base se algo que acaba por não ser verdade, e quando esta vem ao de cima, tudo caí como uma castelo de cartas.
"Citizen Erased"
Break me in,
Teach us to cheat
And to lie, cover up
What shouldn't be shared?
All the truth unwinding
Scraping away
At my mind
Please stop asking me to describe him
For one moment
I wish you'd hold your stage
With no feelings at all
Open minded
I'm sure I used to be so free
Self expressed, exhausting for all
To see and to be
What you want and what you need
The truth unwinding
Scraping away
At my mind
Please stop asking me to describe
For one moment
I wish you'd hold your stage
With no feelings at all
Open minded
I'm sure I used to be so free
For one moment
I wish you'd hold your stage
With no feelings at all
Open minded
I'm sure I used to be so free
Wash me away
Clean your body of me
Erase all the memories
They will only bring us pain
And I've seen all I'll ever need
Se pararmos um pouco para pensar, a vida vista de fora parece-se um pouco com um imenso baile de mascaras. Todas as pessoas acabam por se esconder por detrás de representações mais ou menos próximas de si mesmas, num teatro interminável e em constante mudança, onde nada pode ser dado como certo. Onde todos se escondem, onde todos parecem ser aquilo que não são, esforçam-se por ser aquilo que os outros esperam que eles sejam em cada momento. Mas neste teatro complexo e imprevisível é fácil sentirmo-nos perdidos, desejando que a peça pudesse parar por momentos, para podermos tentar compreender-lhe as regras, pudéssemos ver os verdadeiros rostos que se escondem atrás das máscaras, pudéssemos questionar o que acontece a nossa volta, sermos mais livres de seguir outros rumos. Por outro lado, tanto nos esforçamos por ser o que é esperado de nós, o que sentimos ser o que os outros precisam, esquecemo-nos de sermos simplesmente nós mesmos, acabamos por não conhecer verdadeiramente as pessoas à nossa volta, se construímos tudo com base se algo que acaba por não ser verdade, e quando esta vem ao de cima, tudo caí como uma castelo de cartas.
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Manhãs
Hoje tive de madrugar. Saí de da casa pouco passava das 7h da manhã, ainda o céu era um tom azul-escuro carregado que lembrava muito mais a noite do que a manhã que se anunciava. Os candeeiros da rua, ainda acesos, só reforçavam essa imagem. À minha volta tudo parecia adormecido, as ruas desertas pareciam irreais, um palco vazio à espera que a peça da rotina diária se inicie com o seu ritmo próprio, enquanto saboreia os últimos instantes de paz. Por banais e insignificantes que pareçam, estes momentos de solidão tornam-se quase mágicos. Como se a tranquilidade à minha volta pudesse incorporar-se em mim, me permitisse estar só com os meus pensamentos, ter apenas a música por companhia, olhar pela janela e vez o céu a assumir um azul claro a cidade a despertar, dar inicio a mais um dia.
domingo, 28 de setembro de 2008
Reciclagem musical XV
Esta 15ª reciclagem é um pouco a continuação da 11ª, uma vez que se trata de mais uma canção dos britânicos Keane, chamada Broken Toy do seu segundo álbum Under the iron sea (2006), e desenvolve uma temática frequente nas suas canções, o desgaste das relações entre pessoas que são muito próximas há muito tempo.
"Broken Toy"
I think you know
Because it's old news
The people you love
Are hard to find
So I think if I
Were in your shoes
I would be kind
I look out for you
Come rain, come shine
What good does it do?
I guess I'm a toy that is broken
I guess we're just older now
I want to stay
Another season
See summer upon
This sorry land
So don't dust off your gun
Without a reason
You understand
I look out for you
Come rain, come shine
What good does it do?
I guess I'm a toy that is broken
I guess we're just older now
Who says the river can't leave its waters?
Who says you walk in a line?
Who says the city change its borders?
Who says you're mine?
I look out for you
Come rain, come shine
What good does it do?
I guess I'm a record you're tired of
I guess we're just older now
I guess I'm a toy that is broken
I guess we're just older now
É quase assustador como as pessoas tomam as outras como garantidas. Como partem do pressuposto de que as pessoas estarão sempre presentes, apenas pelo facto de sempre terem estado. Como se os outros não fossem mais do que um cenário vivo sem vontade própria, sempre a nossa disposição. E à medida que o tempo passa e as pessoas perdem a capacidade de nos surpreender, fazem a tanto tempo parte da nossa vida que já não sabemos (se alguma vez soubemos) como era a vida sem elas. E esquecemo-nos de lhe dar valor. Arrumamo-las no fundo do baú das recordações, dos dados adquiridos, e partimos em busca de algo mais entusiasmante noutras paragens, supondo que quando voltarmos (e sobretudo quando voltarmos magoados de uma viagem que correu especialmente mal) estarão lá tal como estavam à nossa espera como sempre estiveram. Mas as pessoas à nossa volta são mais do que parte do cenário: têm sentimentos próprios e não gostam de se sentir parte do cenário que são é chamado a acção para curar feridas alheias. E desistem de esperar, também elas podem partir em busca de algo novo. E muitas vezes só quando as tivermos perdido de vez, saberemos quando nos faziam falta.
"Broken Toy"
I think you know
Because it's old news
The people you love
Are hard to find
So I think if I
Were in your shoes
I would be kind
I look out for you
Come rain, come shine
What good does it do?
I guess I'm a toy that is broken
I guess we're just older now
I want to stay
Another season
See summer upon
This sorry land
So don't dust off your gun
Without a reason
You understand
I look out for you
Come rain, come shine
What good does it do?
I guess I'm a toy that is broken
I guess we're just older now
Who says the river can't leave its waters?
Who says you walk in a line?
Who says the city change its borders?
Who says you're mine?
I look out for you
Come rain, come shine
What good does it do?
I guess I'm a record you're tired of
I guess we're just older now
I guess I'm a toy that is broken
I guess we're just older now
É quase assustador como as pessoas tomam as outras como garantidas. Como partem do pressuposto de que as pessoas estarão sempre presentes, apenas pelo facto de sempre terem estado. Como se os outros não fossem mais do que um cenário vivo sem vontade própria, sempre a nossa disposição. E à medida que o tempo passa e as pessoas perdem a capacidade de nos surpreender, fazem a tanto tempo parte da nossa vida que já não sabemos (se alguma vez soubemos) como era a vida sem elas. E esquecemo-nos de lhe dar valor. Arrumamo-las no fundo do baú das recordações, dos dados adquiridos, e partimos em busca de algo mais entusiasmante noutras paragens, supondo que quando voltarmos (e sobretudo quando voltarmos magoados de uma viagem que correu especialmente mal) estarão lá tal como estavam à nossa espera como sempre estiveram. Mas as pessoas à nossa volta são mais do que parte do cenário: têm sentimentos próprios e não gostam de se sentir parte do cenário que são é chamado a acção para curar feridas alheias. E desistem de esperar, também elas podem partir em busca de algo novo. E muitas vezes só quando as tivermos perdido de vez, saberemos quando nos faziam falta.
domingo, 21 de setembro de 2008
Reciclagem musical XIV
Continuando no ano de 2007, escolhi para esta reciclagem musical uma canção dos Britânicos Kaiser Chiefs, do seu 2º álbum Yours Truly Angry Mob, chamada The Angry Mob. Este grupo tem abordado a temática da violência nos centros urbanos, quer neste álbum quer no ser precedente (Employment de 2005) e esta canção é um bom exemplo disso.
"The Angry Mob"
I can prove anything
I'll make you admit again and again
I can prove anything
The way that it's read again and again
And its only cos you came here with your brothers too
If you came here on your own you'd be dead
Its only cos you follow what the others do
Its no excuse to say your easily lead
You can choose anything
You choose to lose again and again
You could do anything
Why should you do anything again
And its only cos you came here with your brothers too
If you came here on your own you'd be dead
Winding yourself up until your turning blue
Repeating everything that you've read
And here we go with the letter
Well can you fix it for me
Cos we need entertainment
To keep us all off the streets
So tonight you'll sleep softly in your bed
You can try anything
And no-one would know apart from you and me
You can stop anything
It's starts with just one and turns to two then three
Its only cos you came here with your brothers too
If you came here on your own you'd be dead
Raise a glass or two
You raise a fist or two
Get a shopping basket wrapped round your head
So here we go with the letter
Oh can you fix it for me
The 24 hour drinking
To keep us all off the streets
So tonight you'll sleep softly in your bed
We are the angry mob
We read the papers everyday day
We like who like
We hate who we hate
But we're also easily swayed
Esta canção acaba do descrever com uma notável precisão o comportamento das multidões, ou desta multidão em particular a que ele se refere e que poderia simbolizar tantas outras. Onde as pessoas se deixam levar pelo comportamento dos outros, refugiando-se assim no anonimato que o colectivo lhes proporciona, como se procurassem o sentimento de pertencer a algum lado e a ocupação que de outro modo não teriam. Ao mesmo tempo que defendem ideias que não são suas, que de facto pouco importam e pouco valem e que são tão vazias de sentido e de significado que pouco restará delas no dia seguinte, quando a multidão se desfizer e a vida seguir o seu curso.
"The Angry Mob"
I can prove anything
I'll make you admit again and again
I can prove anything
The way that it's read again and again
And its only cos you came here with your brothers too
If you came here on your own you'd be dead
Its only cos you follow what the others do
Its no excuse to say your easily lead
You can choose anything
You choose to lose again and again
You could do anything
Why should you do anything again
And its only cos you came here with your brothers too
If you came here on your own you'd be dead
Winding yourself up until your turning blue
Repeating everything that you've read
And here we go with the letter
Well can you fix it for me
Cos we need entertainment
To keep us all off the streets
So tonight you'll sleep softly in your bed
You can try anything
And no-one would know apart from you and me
You can stop anything
It's starts with just one and turns to two then three
Its only cos you came here with your brothers too
If you came here on your own you'd be dead
Raise a glass or two
You raise a fist or two
Get a shopping basket wrapped round your head
So here we go with the letter
Oh can you fix it for me
The 24 hour drinking
To keep us all off the streets
So tonight you'll sleep softly in your bed
We are the angry mob
We read the papers everyday day
We like who like
We hate who we hate
But we're also easily swayed
Esta canção acaba do descrever com uma notável precisão o comportamento das multidões, ou desta multidão em particular a que ele se refere e que poderia simbolizar tantas outras. Onde as pessoas se deixam levar pelo comportamento dos outros, refugiando-se assim no anonimato que o colectivo lhes proporciona, como se procurassem o sentimento de pertencer a algum lado e a ocupação que de outro modo não teriam. Ao mesmo tempo que defendem ideias que não são suas, que de facto pouco importam e pouco valem e que são tão vazias de sentido e de significado que pouco restará delas no dia seguinte, quando a multidão se desfizer e a vida seguir o seu curso.
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